Isso acontece no Brasil

A forte presença da cultura de violência motivada pela ausência de uma cultura de paz

13:06 0 Comentarios

rj17
Paz não é algo inerte, nem passivo, muito menos tranqüilo, a Paz é puro movimento, é um processo incessante de construção é revolução interior é puro dinamismo. Muito tem se falado em paz nos últimos tempos como uma necessidade de vida, uma saída para uma situação aflitiva que parece não ter saída. Para muitos a Paz representa tranqüilidade, inércia, passividade.


Este artigo tenta chamar atenção das pessoas para o aumento crescente da violência motivado pela ausência de uma Cultura de Paz nos diversos níveis, paz individual, paz social, paz nas escolas, paz no trânsito. Fomentar a Cultura de Paz nas escolas, reforçar a Cultura de Paz nas pessoas, a fim de que elas descubram a paz que existe dentro de cada ser, estimular campanhas de Cultura de Paz no trânsito, são propostas possíveis de construção da cultura de paz e conseqüentemente desconstrução da cultura de violência.
rj18
Por que as pessoas se envolvem mais com a cultura de violência do que com a cultura de paz? Essa é uma questão importante que o presente artigo tenta responder ela é o cerne de todo o trabalho. A maioria das atitudes de cada pessoa, parte inicialmente de uma reação violenta influenciada pela mídia, pela internet, jogos, etc. Enfim se for modificada a qualidade da informação, incentivando a cultura de paz em todos os campos da vida humana, a realidade poderá ser mudada de forma eficaz.
            Diante da onda de violência que vive o mundo, torna-se necessário um novo olhar no futuro que modifique os caminhos da sociedade e esse processo perpassa pela construção de uma sociedade mais fraterna, que coloque um basta na situação insustentável em que ela se encontra.
O presente artigo trata de um estudo bibliográfico, exploratório, descritivo, numa abordagem qualitativa, que teve como objetivo descrever e citar as contribuições dos autores quanto à temática.
2. CULTURA DE PAZ
Muito tem se falado em paz nos últimos tempos como uma necessidade de vida, uma saída para uma situação aflitiva que parece não ter saída. Mas o que é realmente a Paz?
            Para muitos a Paz representa tranqüilidade, inércia, passividade, cujo símbolo mais associado a ela é uma pomba com um ramo de flor no bico, entretanto para outros a Paz é ausência de conflito, ausência de guerras, enfim ausência de violência, outros procuram a paz em algum lugar, ou que ela é um elemento isolado.
            A Paz não é algo inerte, nem passivo, muito menos tranqüilo, a Paz é puro movimento, é um processo incessante de construção é revolução interior é puro dinamismo, como afirma o professor Rohden (1988 p.207): "a Paz não representa um estado de passividade e inércia, mas é uma conquista, uma vitória altamente dinâmica".
A Paz não é só ausência de conflitos ou ausência de guerras, porque pode não haver o conflito ou a guerra e o homem ter dentro de si a nascente da violência que irá produzir outros tipos de violência, porque o conflito e a guerra são apenas um tipo de manifestação da violência, o que prova que Paz é ação e transformação das fontes geradoras de violência para fontes geradoras de Paz como afirma Gilberto Gil (1994 faixa7): "a Paz fez o mar da revolução invadir meu destino a Paz como aquela grande explosão uma bomba sobre o Japão fez nascer o Japão da Paz".
A paz é reconhecida não somente como a ausência de conflitos, mas como um processo positivo, dinâmico e participativo em que se promove o diálogo e a solução dos conflitos em um espírito de entendimento e cooperação mútuos. Acultura de paz é definida como um conjunto de valores, atitudes, tradições, comportamentos e estilos de vida baseados no respeito pleno à vida e na promoção dos direitos humanos e das liberdades fundamentais, propiciando o fomento da paz entre as pessoas, os grupos e as nações (Declaração sobre uma Cultura de Paz, ONU, 1999, ARTIGOS 1 e 2).
Desta forma a Paz mostra o seu poder de transformar e abalar as estruturas do ser modificando-o em todos os sentidos, assim se conhece a força da Paz e não a Paz pela força. Como afirma o professor Nunes (2002, p.14): "não estamos habituados a experiência do convívio com o poder da força da Paz. O que conhecemos é a Paz pela força".
A humanidade e, sobretudo o homem moderno nada conhece ou sabe pouco sobre paz apresenta-se apenas um conhecimento superficial inconsistente e principalmente conhece pouco de si mesmo, para entender que tanto as potências de paz quanto as nascentes da violência reside há muito tempo nas profundezas do seu ser. Sobre isso vejamos o que diz o professor Rohden (1988 p.205): "O nosso ego humano nada sabe de paz, só conhece a guerra – a guerra quente nos campos de batalha, ou então a guerra fria do armistício nos parlamentos". 
            Com efeito, a maioria das pessoas infelizmente está muito distante da cultura de paz, cultura enquanto conjunto de características humanas que não são inatas, e que se criam e se preservam ou se aprimoram através da comunicação e cooperação entre indivíduos em sociedade (AURÉLIO 2001). Isso deve ser cultivado nos relacionamentos interpessoais.
            Para essas pessoas a paz é vista e sentida como alguém que mora num país bem distante numa avenida poética de uma cidade chamada filosofia, ou ainda que ela deva ser de responsabilidade de alguma instituição internacional que ela está ligada a algum segmento religioso. 
            Diante disso quem sabe um dia não muito distante se consiga aprender o conceito de paz não pela acepção da palavra mais no completo entendimento profundo que ela representa como manifestação de um comportamento e que ela produza uma mudança consubstancial no comportamento que é regido pela violência, e passe a ser regido pela paz tendo a cultura e o meio social como fatores importantes na construção da nossa personalidade, sendo esse ponto um dos que as teorias psicológicas convergem à cultura influenciam na construção da personalidade humana.
3. CULTURA DE VIOLÊNCIA
A cultura de violência está presente na sociedade desde os tempos mais remotos onde aconteceram inúmeras guerras, sobre os mais variados pretextos inclusive guerras religiosas como as guerras dentro do cristianismo onde durante muito tempo se matou em nome de Deus. E nos tempos atuais ainda ocorrem várias guerras de toda ordem, seja nos campos de batalha, seja nas cidades, nas periferias, em muitos lugares parece haver uma fonte inesgotável de violência.
Algumas teorias psicológicas admitem o ambiente e a cultura como fatores importantes na constituição dos sujeitos principalmente no que diz respeito ao seu comportamento e subjetividade. Contudo a psicologia sócio-histórica é a que melhor se apresenta para a fundamentação desse capítulo no presente artigo, pois, concebe o fenômeno psicológico, entre outros fatores, como uma condição social, econômica e cultural em que vivem os homens.
            A humanidade vem se constituindo dentro da cultura de violência desde os tempos bíblicos da era de Moisés que instituiu a Lei do Taleão (olho por olho, dente por dente, que pressupõe que se alguém agredir a outrem, esse alguém poderá agredir o outro da mesma forma que foi agredido), isso é cultura de violência, culturalmente se aprende que existem os fortes e os fracos, os que mandam e os que obedecem, os que são oprimidos e os que oprimem, vive-se num mundo onde a cultura de violência, na maioria das vezes, é o modo de viver em sociedade.
            As crianças já crescem sendo influenciadas pela cultura de violência, as músicas cantadas para niná-las todas são cultura de violência, atirei o pau no gato, mas o gato não morreu; sambalelê tá doente tá com a cabeça quebrada; nana neném que a cuca vai pegar; o cravo brigou com a rosa etc. A programação televisiva infantil apresenta conteúdos de cultura de violência os desenhos animados são sempre voltados para as batalhas ditas "entre o bem e mau" onde acontecem sempre mortes violentas. A internet oferece jogos violentos que para passar de fase é preciso matar bastante, de outra forma são corridas de carro e motos que estimulam a imprudência e a alta velocidade despertando assim a violência no trânsito.
Nas escolas estudam-se as grandes guerras do mundo os heróis que são heróis para os que vencem porque para os que perdem são assassinos cruéis que dizimaram milhares de pessoas. Mas não se estudam os fautores da paz, os legítimos representantes e construtores da cultura de paz.
Quando se encontra alguém que é muito bom naquilo que faz diz-se: fulano é o bicho, a estrutura do futebol é toda constituída em cultura de violência, ou seja, existe a defesa e o ataque os jogadores do meio de campo se dividem em meio de campo defensores e meio de campo atacantes os jogadores que são responsáveis por fazerem os gols são chamados de artilheiro e de matador, as manifestações das torcidas em campo são considerados gritos de guerra (ô lê, lê ô lá, lá fulano vem ai, o bicho vai pegar) quando se faz boa prova no vestibular fala-se que fulano brocou a prova, beltrano botou para quebrar, em outros tempos quando se queria comunicar-se com alguém se mandava cartas ou bilhetes ou telefonava-se para a pessoa desejada, hoje se manda um "torpedo".
Geralmente os pais educam os filhos também com atitudes violentas quando optam por educá-los com a famosa "psicologia do chinelo ou do cinto", a criança entende que se o pai é maior pode agredi-la, então, quando encontrar alguém menor poderá agredir o outro. Desta forma a cultura de violência vai se instalando no comportamento das pessoas sem falar na condição econômica, educacional e social que também é fator gerador de violência.
            Existem dois tipos de pessoas violentas as que praticam a violência concretizada pela ação, aqueles cujo controle das atitudes não mais existe, pois se trata muitas vezes como uma atitude "normal", e aqueles que desejariam praticar um ato de violência mais são contidos pela possibilidade de arcar de forma legal (prisão, responder a processo criminal etc.), ou pelo medo do castigo divino caracterizado pelo imaginário judaico-cristão entre outros. Desta maneira a violência se manifesta de formas variadas nesses sujeitos.
            Com efeito, as influências culturais contribuem consubstancialmente na formação da personalidade, conforme Vigotski afirma o que ocorre no plano interpessoal passa para o plano intrapessoal. Ou seja, a criança internaliza o que aprendeu nas relações interpessoais (BONIN, 1998).
A Psicologia sócio-histórica apresenta uma perspectiva satisfatória na fundamentação dessa proposta até aqui levantada nesse artigo, porque mostra que o "eu" é construído na vida social e que esta constitui as atividades e habilidades dos sujeitos na sua vida emocional, motivacional e cognitiva (BONIN, 1998).
4. DESCONSTRUÇÃO DA CULTURA DE VIOLÊNCIA E CONSTRUÇÃO DA                                    CULTURA DE PAZ
Diante do exposto até aqui, cabe apresentar algumas hipóteses possíveis para o problema levantado, conforme visto anteriormente quanto à cultura de violência sob a roupagem da influência pode conduzir o comportamento despertando e fazendo transbordar as nascentes violentas do homem.
            As dificuldades existentes no dia-a-dia, a onda de violência, a intolerância que se faz presente cada vez mais de forma constante nas atitudes do homem, a facilidade com que se admite uma atitude violenta como primeira atitude em um conflito, a banalização da violência constante parece ser tão "normal" que exige uma reflexão no mínimo necessária e lúcida. O que fazer diante de uma situação tão caótica e desesperadora? Como construir uma nova forma que responda a perguntas sem respostas diante da falência de tantas outras formas que deram em nada?             
            O primeiro passo será desconstruir o paradigma da violência, da ineficácia e da acomodação, da sensação de impotência que envolve a sociedade, e da tão cada vez mais "comum" situação em que se transformou a idéia de que se tem que aprender a conviver com a violência. Faz-se necessário a construção, como segundo passo, de um novo paradigma, o da cultura de Paz, uma Paz que não é ausência de conflito, ausência de guerra, de violência ou algo que esteja num lugar esperando para ser encontrada, mas uma nova forma dinâmica e ativa de viver e de ser, e esse processo começa com a construção da Paz interior para que se possa construir um novo amanhã onde as gerações futuras vivam com mais segurança e felicidade.
Ao longo do tempo tenta-se conseguir a Paz usando a força, é a violência contra a violência em detrimento da Paz, enquanto que nos gabinetes importantes busca-se encontrar a "Paz" em forma de armistício que é uma pseudo Paz.  Tenta-se encontrar uma saída para acabar com a violência, mas todas as tentativas esbarram sempre em uma nova forma de violência, ou seja: as inúmeras campanhas criadas contra a violência de nada ou quase nada adiantaram porque todas as vezes que se é contra algo ou alguma coisa torna-se combativo e, por conseguinte torna-se violento, de outra forma criam-se campanhas antiviolência que a própria palavra cujo prefixo anti, quer dizer oposição, contra, logo se torna combativo como atesta o professor Nunes (2002, p.12):
Todas as vezes que alguém reage contra, fazendo-se combativo torna-se também violento. É por isso que, muitas vezes, assistimos na prática do combate à violência a utilização da mesma, ou de maior crueldade, do que aquela que se quer combater. "Violência gera violência", dizia o apóstolo João.
            Utilizar o combate a violência ou a antiviolência como tentativa de resolver o problema da falta de Paz é atacar o efeito e não a causa do problema é tratar câncer com analgésico, a medida só é usada quando a violência já está presente. A melhor forma de lhe dar com a violência é usar a Não-Violência que é a tradução da palavra sânscrita Ahimsa que quer dizer que não se deve provocar violência nem física nem verbal nem mental, esta foi uma das armas utilizadas por Gandhi para libertar a Índia do domínio Inglês não é a mesma coisa de ser contra a violência, combater a violência ou ser antiviolento, assim afirma o professor Nunes (2002 p.13-14):
Não-Violência não deve ser confundida com contra-violência nem com antiviolência, tão pouco deve ser entendida simplesmente como ausência de violência. Da mesma forma que Paz não é apenas a ausência de guerras, assim como, saúde não é ausência de doenças, Não-Violência não é a ausência de violência. Ou melhor, Não-Violência não é ausência de nada, também não é a neutralidade passiva, é sim a presença de uma força muito poderosa: a força da Paz.
Para que a Paz se torne possível é preciso que haja uma grande corrente entre todos que desejam modificar a situação que tem se tornado insustentável, separados são apenas pontos de vista, juntos será opinião. A construção da Paz não pode estar nas mãos apenas de um segmento da sociedade sejam eles políticos, ou governantes, ou religiosos, todos devem estar juntos na construção desse processo, como bem salienta o professor Nunes (2001, p. 71):
A construção da paz somente será possível algum dia na face da terra quando a sociedade civil organizada se der as mãos, para perceber a importância de tornar a Paz uma necessidade do presente e não uma esperança do futuro.
            A intolerância e a falta de diálogo é um dos grandes entraves para se construir a Paz, é preciso aprender a conviver com as diferenças todos tem o direito de pensar diferente de ter sua opinião própria, mas o foco a meta deve ser a mesma discutir sem se dessentir para aproveitar as contribuições que cada um tem a dar para construir a Paz, a compreensão e a tolerância são muito importantes nesse processo, assim afirma o professor Nunes (2001, p.72):
A compreensão das diferenças desenvolve a construção da tolerância. A compreensão e a tolerância são fundamentais para que haja união entre os povos e entre as múltiplas diferenças que existem nas sociedades. A compreensão implica na separação do reducionismo radical de opiniões e de todo tipo de dogmatismo sectário. Implica em estar aberto a novas idéias, receptivo a novas visões de outras pessoas mesmo que sejam idéias e visões diferentes, e ainda assim, ser capaz de desenvolver a condição de fazê-las com as suas. Daí o importante significado da tolerância.
            Desta forma o professor Nunes (2001) assevera que ao assumir a condição de tolerantes e compreensíveis, o ser se coloca como construtor da Paz porque a intolerância é indicio de ausência de Paz. Assim a Paz torna-se possível quando se está imbuído do desejo e da realização de se tornar um multiplicador da cultura da Paz.
            Diversos são os fatores que contribuem para a construção de uma cultura de Paz e Não-Violência ativa, mas o primeiro deles está na auto-pacificação, para que haja Paz no mundo é preciso que a Paz comece dentro de cada um, ninguém pode ser um construtor da Paz social sem antes ser um construtor da sua própria Paz ninguém pode dar o que não tem a Paz do outro depende de mim. Assim se expressa o professor Rodhen (1998, p.206):
A paz social, nacional e internacional depende da paz individual. Enquanto o homem não fizer as pazes consigo mesmo, não pode ter paz com os outros. Todo e qualquer tratado de paz no mundo político-social acabará infalivelmente numa guerra quente, nos campos de batalha, ou então numa guerra fria nos parlamentos. As leis cósmicas são de uma lógica retilínea inexorável: nada há no mundo social que antes não tenha havido no mundo individual.
Outro fator importante para a construção da Paz é a educação, mas há que se pensar no tipo de educação que contribuirá nessa construção, as escolas estão mais voltadas para a formação do profissional competidor do que para o profissional colaborador as escolas formam profissionais para o trabalho mais não forma seres humanos para a vida. Há que se pensar numa nova pedagogia que se volte para a formação do ser como promotor da Paz e não como promotor da violência dentro de um processo educacional que mais escraviza do que liberta.   Desta forma assevera o professor Nunes (2002, p.19):
A prática consciente de uma pedagogia transformadora deverá criar na educação uma nova linguagem que leve o educador a assumir o seu papel no novo contexto de mudanças na sociedade. Uma educação que incorpore os valores humanos, a Paz e Não-Violência e se torne uma prática militante e amorosa ao mesmo tempo.
          Existem diversos campos onde a Paz pode atuar onde a cultura de violência está presente e a Paz só está presente nas palavras. A Paz Social, a Paz nas escolas, a Paz no trânsito, a Paz ambiental, e a Paz interior. Diversas ações em favor da Paz devem ser realizadas, divulgar a cultura de Paz de forma que as pessoas compreendam o que é a Paz na sua essência e a importância da convivência social em Paz onde todos possam respeitar as diferenças e fazer a diferença na construção da cultura de Paz.
          Implantar a cultura de Paz nas escolas que só ensinam cultura de violência, diversas guerras são estudadas os nossos "heróis" são heróis para nós, porque para os que perderam a guerra eles são assassinos e promotores da violência. Então a idéia seria colocar a história dos verdadeiros heróis, aqueles que promovem a Paz, os chamados Pacifistas. Equipar as bibliotecas das escolas e as do Município com livros e filmes que contam a história dos pacifistas para que os estudantes conheçam quem foram esses promotores da Paz a da Não-Violência como Jesus Cristo, Gandhi, Dalai Lama Madre Tereza de Calcutá Chico Xavier Martin Luterking, Steve Bico, Cal Rogers entre outros. Capacitar professores e educadores para que eles possam ensinar a cultura de Paz, como bem assevera o professor Nunes (2002, p.140):
Trata-se de uma abordagem com um conteúdo trans-disciplinar, que ao mesmo tempo capacita o professor com conhecimentos básicos e noções fundamentais para ensinar a Paz, como também o qualifica a ser um multiplicador, para que o mesmo possa "ensinar a ensinar a Paz". Preparar o educador para que o estudo da Paz nas escolas não seja lecionado de maneira improvisada e superficial.
            Ensinar nas escolas as crianças a conhecer o funcionamento do trânsito com conteúdos de cidadania de educação no trânsito para que elas cresçam aprendendo a respeitar o direito dos outros usuários e a serem cordiais, ensinado-as o valor da sua vida e das outras pessoas, fomentando assim uma cultura de Paz no trânsito.
A humanidade vem degradando o planeta de várias formas seja nas indústrias, seja nos desmatamentos na retirada desordenada de matérias primas do solo, do despejo de materiais que levam centenas de anos para desaparecer. "Na vida tudo que é agredido se defende e na defesa se fortalece", afirmava o professor Rodrigues (1985, p.12). Essa lei vem se cumprindo através das enchentes das secas dos tufões dos tsunamis etc. Isso representa ausência de uma cultura de Paz ambiental onde o ser não reconhece a terra como sua casa e por isso não cuida e não preserva o Planeta, por isso a necessidade de se ensinar cultura de Paz ambiental as crianças nas escolas para que elas cresçam aprendendo a amar e respeitar o planeta terra.
            A paz é possível na medida em que se empreendem esforços para alcançar tal intento, sobretudo quando o ser conhece as suas potencialidades internas e acredita na sua tendência individual para o crescimento saúde e adaptação que é a essência do pensamento de Cal Rogers, psicólogo americano que foi prêmio Nobel da Paz em 1987 como relata no seu artigo sobre a biografia de Rogers, João Hipólito (1999): "Recordemos que o "modelo de Campo David" é aplicado de novo em 1995, com relativo sucesso, para pôr fim, esperemos que definitivamente, ao conflito armado da Bósnia e de novo em 1998 para dar um novo impulso aos acordos de paz no médio oriente". 
            A terapia centrada no cliente de Rogers desperta no individuo a consciência do seu potencial de crescimento interior e a sua capacidade de desenvolver a sua condição de poder se encontrar e encontrar a saída para as suas dificuldades. Desta forma apresenta uma conformidade com a construção da paz interior e de fazer transbordar as nascentes da paz e a autopacificação do ser. A Psicologia tem muito a contribuir nesse processo de desconstrução da cultura de violência e conseqüente construção da cultura de paz porque trabalha com o comportamento, do homem que muitas vezes é de violência, mas pode se transformar num comportamento de paz.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
            A cultura de paz ainda é um campo muito pouco explorado seja no conhecimento do que a paz realmente representa seja na tentativa muitas vezes equivocada de alcançá-la. O que se conhece de paz é algo bastante superficial como as bases da pseudo paz, e a ignorância dessa representação pode em certa medida demonstrar que tudo que se faz surte um efeito mais colateral do que o desejado e promove a estranha sensação de que devemos aprender a conviver com a ausência de paz.
            Esse trabalho não tem a ingênua pretensão de esgotar o tema ou ter    0achado a solução para o problema da violência até por que se trata de uma questão bastante complexa, sem nenhum hiperbolismo. O problema da violência é uma questão multifatorial, mas o presente trabalho remete-a a sua nascente, aqui ela é o tronco da árvore e os galhos são a sua extensão.
Com efeito, ações profundas e bem estruturadas que vise à promoção da cultura de paz em todas as dimensões em que ela necessite está presente como seja a paz interior, a paz social, a paz no trânsito a paz ambiental etc. Pode ser um caminho para modificar o cenário que a humanidade se encontra.
Nesse sentido estará dando a humanidade, um importante passo rumo à construção de uma sociedade menos violenta e mais harmoniosa para as gerações futuras, onde os atores sejam artífices do seu próprio desenvolvimento pessoal libertando-se das amarras da cultura de violência gozando da inefável e inviolável liberdade que a cultura de paz proporciona aos que dela se fazem merecedores, buscando a consciência de que buscar um caminho para a paz é perder tempo porque a paz é o caminho.    
REFERÊNCIAS
Declaração sobre uma Cultura de Paz, ONU, 1999, ARTIGOS 1 e 2 www.scielo.com.br  disponível em 16/03/2010.
FERREIRA. Aurélio B. de Holanda. O minidicionário da Língua Portuguesa.5 ed. Rio de Janeiro – RJ: Nova Fronteira, 2004
FRANCO. Divaldo. P. A Paz que vem do Senhor, A Paz que vem de Deus; VIAN. Itamar. D. A Paz começa em casa; SAMTEN. Padman. A Paz na relação com a vida. NUNES. Clóvis. S. (org.) Construindo a paz: Um diálogo inter-religioso e policultural em favor da Paz. 1. Ed. Sobradinho-DF: Edicel, 2001.
GIL. Gilberto. CD Unplugged. São Paulo – SP Warner, 1994
HERMOGENES. José de A. Convite á não-violência: em paz com o mundo. 4. ed. Rio de Janeiro: Nova Era, 2002.
HIPÓLITO. João. A biografia de Cal Rogers. http://www.rogeriana.com/biografia. Disponível em: 28/04/2010.
ROCRIGUES. Henrique. A ciência do espírito 1.ed. Matão – SP:  O Clarim, 1985.
STREY. Marlene. Neves. et al. Indivíduo, Cultura e Sociedade. Psicologia Social Contemporânea 3.ed. Petrópolis- RJ: Vozes, 1998
NUNES, Clóvis. S. Educação pela paz: Um guia para os pais, professores e todos os Estudantes da Vida. 1. ed. João Pessoa: Qualigraf, 2002.




































































0 comentários:

Postagem mais recente Página inicial Postagem mais antiga